Ciência

Pesquisador desenvolve módulo que incentiva interesse de estudantes pelas engenharias

Projeto também oferece kits didáticos para capacitar professores no uso do equipamento em sala de aula

Maby Ferreira, Matheus Carvalho, Nathan Costa e Yago Franzoni
8 de dezembro de 2025
Pesquisador Jorge Andrés Cardona Gil e o Módulo de Agricultura de Precisão (MAP) Foto: Equipe de Reportagem - Maby Ferreira, Matheus Carvalho, Nathan Costa e Yago Franzoni

O engenheiro eletrônico e pesquisador Jorge Andrés Cardona Gil, doutorando da Universidad Pontificia Bolivariana (UPB), de Medellin, na Colômbia, desenvolveu um projeto que leva aos estudantes da rede pública municipal e estadual, uma tecnologia digital capaz de simular atividades de engenharia. Parte da pesquisa está sendo realizada na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e será aplicada a alunos do Ensino Fundamental II e Médio.

No Brasil, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Locomotiva para o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), constatou que apenas 12% dos alunos do ensino médio possuem interesse em cursar as áreas de engenharia. Foi observando a baixa procura dos jovens da Colômbia e do Brasil pelas engenharias que Cardona decidiu criar o Módulo de Agricultura de Precisão (MAP).

“Os estudantes não querem ou não se interessam por estudar engenharia. Uma maneira de superar essa barreira é um módulo como este. Isso é fundamental para entender que a engenharia é simples, que nos ajuda e é útil na vida”, fala.

O projeto, que será inserido durante o período letivo nas escolas, visa estimular os alunos a considerar a engenharia como uma área de atuação. “A ideia é que os estudantes possam acessar, fazer uma experimentação, saber que existem a matemática, as ciências e que não é difícil, é aplicável”, diz o pesquisador, sobre o objetivo do MAP.

Outro benefício para os estudantes é o desenvolvimento de habilidades e competências fundamentais que estimulam o pensamento crítico. “É um módulo baseado em competências focadas em engenharia, ciência, tecnologia e matemática. Elas se concentram em medição, em análise de dados e cálculos simples. Você também pode adquirir comunicação, controle e aprender a manipular uma interface”.

Desenvolvido por Cardona, o Módulo Didático de Agricultura de Precisão (MAP) é um equipamento portátil que oferece o contato com sensoriamento, controle e análise de dados de uma mini estufa. Equipado com sensores que medem temperatura, umidade e raios UV, o protótipo possui um sistema de irrigação por gotejamento, três luminárias de led que simulam o ciclo do sol e um vaso para plantação, controlado por um software em duas modalidades de controle: o automático e o manual.

O MAP – Módulo de Agricultura de Precisão é o protótipo utilizado para fomentar a formação de engenheiros
Foto: Equipe de Reportagem – Maby Ferreira, Matheus Carvalho, Nathan Costa e Yago Franzoni

“Vou apresentar isso por meio de metodologias de exploração, do toque, da observação e de mim, um guia que fornece informações para a pessoa”, explica o pesquisador, em relação a incentivar a autonomia dos alunos durante o uso do MAP.

Segundo o coordenador de Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp, Murilo Innocentini, o módulo demonstra aos estudantes algumas noções de sensoriamento e manuseio. “É uma ferramenta para os alunos programarem e verem como simular o crescimento de uma planta. Ela vai crescendo e os grupos nas salas de aulas vão aprendendo”.

Voltado para os últimos anos escolares, período em que os estudantes estão mais próximos de escolher um curso no ensino superior, o engenheiro eletrônico enfatiza o impacto esperado da aplicação do projeto. “O que se busca neste caso é que haja uma alfabetização digital e noções de automatização. Também há um impacto social, então que se fomente essas competências para que possam contribuir”, fala.

Jorge Cardona ajusta o sensor de umidade do MAP para leitura correta das condições do solo
Foto: Equipe de Reportagem – Maby Ferreira, Matheus Carvalho, Nathan Costa e Yago Franzoni

Além de promover o interesse dos jovens pelas áreas da engenharia, o projeto também pode se estender para fora do ambiente escolar e estimular soluções tecnológicas de agricultura. “A ideia é desenvolver engenharia, investir em algo que seja forte para a Colômbia, para o Brasil, como a agricultura. E a agricultura nesses dois países está se desenvolvendo, avançando e incorporando mais tecnologia”, diz Cardona, completando que a integração da agricultura com a tecnologia ajuda a melhorar a eficiência das plantações, reduz o tempo de cultivo e o consumo de energia.