O engenheiro eletrônico e pesquisador Jorge Andrés Cardona Gil, doutorando da Universidad Pontificia Bolivariana (UPB), de Medellin, na Colômbia, desenvolveu um projeto que leva aos estudantes da rede pública municipal e estadual, uma tecnologia digital capaz de simular atividades de engenharia. Parte da pesquisa está sendo realizada na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e será aplicada a alunos do Ensino Fundamental II e Médio.
No Brasil, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Locomotiva para o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), constatou que apenas 12% dos alunos do ensino médio possuem interesse em cursar as áreas de engenharia. Foi observando a baixa procura dos jovens da Colômbia e do Brasil pelas engenharias que Cardona decidiu criar o Módulo de Agricultura de Precisão (MAP).
“Os estudantes não querem ou não se interessam por estudar engenharia. Uma maneira de superar essa barreira é um módulo como este. Isso é fundamental para entender que a engenharia é simples, que nos ajuda e é útil na vida”, fala.
O projeto, que será inserido durante o período letivo nas escolas, visa estimular os alunos a considerar a engenharia como uma área de atuação. “A ideia é que os estudantes possam acessar, fazer uma experimentação, saber que existem a matemática, as ciências e que não é difícil, é aplicável”, diz o pesquisador, sobre o objetivo do MAP.
Outro benefício para os estudantes é o desenvolvimento de habilidades e competências fundamentais que estimulam o pensamento crítico. “É um módulo baseado em competências focadas em engenharia, ciência, tecnologia e matemática. Elas se concentram em medição, em análise de dados e cálculos simples. Você também pode adquirir comunicação, controle e aprender a manipular uma interface”.
Desenvolvido por Cardona, o Módulo Didático de Agricultura de Precisão (MAP) é um equipamento portátil que oferece o contato com sensoriamento, controle e análise de dados de uma mini estufa. Equipado com sensores que medem temperatura, umidade e raios UV, o protótipo possui um sistema de irrigação por gotejamento, três luminárias de led que simulam o ciclo do sol e um vaso para plantação, controlado por um software em duas modalidades de controle: o automático e o manual.

Foto: Equipe de Reportagem – Maby Ferreira, Matheus Carvalho, Nathan Costa e Yago Franzoni
“Vou apresentar isso por meio de metodologias de exploração, do toque, da observação e de mim, um guia que fornece informações para a pessoa”, explica o pesquisador, em relação a incentivar a autonomia dos alunos durante o uso do MAP.
Segundo o coordenador de Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp, Murilo Innocentini, o módulo demonstra aos estudantes algumas noções de sensoriamento e manuseio. “É uma ferramenta para os alunos programarem e verem como simular o crescimento de uma planta. Ela vai crescendo e os grupos nas salas de aulas vão aprendendo”.
Voltado para os últimos anos escolares, período em que os estudantes estão mais próximos de escolher um curso no ensino superior, o engenheiro eletrônico enfatiza o impacto esperado da aplicação do projeto. “O que se busca neste caso é que haja uma alfabetização digital e noções de automatização. Também há um impacto social, então que se fomente essas competências para que possam contribuir”, fala.

Foto: Equipe de Reportagem – Maby Ferreira, Matheus Carvalho, Nathan Costa e Yago Franzoni
Além de promover o interesse dos jovens pelas áreas da engenharia, o projeto também pode se estender para fora do ambiente escolar e estimular soluções tecnológicas de agricultura. “A ideia é desenvolver engenharia, investir em algo que seja forte para a Colômbia, para o Brasil, como a agricultura. E a agricultura nesses dois países está se desenvolvendo, avançando e incorporando mais tecnologia”, diz Cardona, completando que a integração da agricultura com a tecnologia ajuda a melhorar a eficiência das plantações, reduz o tempo de cultivo e o consumo de energia.




