
O avanço tecnológico que vem facilitando muitos processos, como a busca do conhecimento e a circulação de informações, trouxe, porém, algumas atividades nocivas que, rapidamente, se adequaram ao ciberespaço. Golpes, alguns tipos de crimes, por exemplo, saíram do mundo físico para o mundo virtual.
Segundo a pesquisa feita pela empresa de cibersegurança PSafe, realizada em 2021, cerca de 150 milhões de brasileiros foram vítimas de phishing, prática em que golpistas enganam a vítima se passando por pessoas ou empresas, famosas ou conhecidas, em busca de retorno financeiro.
Foi o caso da moradora de Jaboticabal, Célia de Oliveira, que caiu em um desses golpes. Segundo ela, um perfil falso de um hotel famoso entrou em contato e mandou a ela um link pelo Instagram, convidando-a para conhecer e avaliar o estabelecimento. Ao clicar, ela foi redirecionada para uma página em branco. Após isso, Célia acabou perdendo o acesso à sua conta. “Uma amiga minha me ligou perguntando se já tinha vendido a geladeira. Perguntei para o meu filho para ver o meu perfil. Foi quando percebi que eles estavam usando meu perfil para vender geladeiras, carros e celulares”, conta.

Essa prática já é bem conhecida nas redes sociais. Os golpistas mandam um link para a rede social da vítima “escolhida” e, ao clicar, o criminoso passa a tomar conta do perfil da pessoa. O bandido então começa a postar nos stories os produtos com preços abaixo do mercado. “Eles estavam vendendo um celular da última geração por cerca de mil reais”, acrescenta Célia.
Um outro caso, também bastante comum, aconteceu com um estudante do segundo ano do ensino médio. Segundo o adolescente, os golpistas entraram em contato com ele via Whatsapp, com uma conta falsa, identificando-se na mensagem como sua irmã. Os criminosos pediam dinheiro, falando que o cartão havia chegado no limite. “Só descobri que era um golpe, porque o jeito deles de mandar mensagem não era igual ao da minha irmã”, afirmou o jovem.
CAIU NA REDE, É PEIXE!
Segundo Luciano Albuquerque Lima Saraiva, graduado em Ciência da Computação pela Universidade Paulista (UNIP) e professor do curso de Engenharia de Software na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), diz que a questão não é reduzida simplesmente à segurança da tecnologia em questão, e sim na questão comportamental.
“A cada dia, aumentamos o sucesso em relação à inclusão digital, mas falhamos no quesito educação digital. Para que esses ataques tenham sucesso, eles contam com a participação da vítima. O mínimo de educação digital e bom senso já ajuda bastante. Porém, é complicado atingir um bom nível de educação digital para todas as classes e faixas etárias, visto que idosos são vítimas comuns desses ataques”, explica.
Em 2021, o Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou uma campanha chamada “Proteja seus dados”. Não compartilhe”. Na época, o ministro da pasta, Anderson Torres, declarou que “a ampliação da informação entre consumidores ajuda a minimizar e dificultar a invasão da privacidade de dados pessoais.Campanhas educativas como essa fazem com que o conhecimento seja difundido, orientando e alertando o consumidor sobre os riscos e conscientizando-o sobre a importância dos seus dados pessoais”.
Faz parte da educação digital registrar o boletim de ocorrência caso seja vítima de um golpe. O BO pode ser feito pela internet, sem necessidade de comparecer presencialmente ao distrito policial. Essa atitude é importante não apenas para a vítima, mas também para a sociedade, uma vez que permite um mapeamento estatístico da quantidade e tipos de crimes”, recomenda o professor Luciano.
DICAS PARA SE PREVENIR CONTRA OS GOLPES VIRTUAIS
- Desconfie de pessoas entrando em contato para pedir informações pessoais.
- Ligue a autenticação de duas vias no seu celular. Faça isso nas configurações de segurança do aplicativo.
- Evite clicar em links, mesmo que venham de contatos conhecidos.
- Utilize senhas reforçadas, com no mínimo oito caracteres.
- Nunca passe dados por telefone, e-mail, mensageiros e outros canais que não sejam os oficiais da empresa.
- Em caso de dúvida, ligue para o banco, a empresa ou a pessoa que, supostamente, está entrando em contato com você. É preferível ser desconfiado do que clicar em links desconhecidos.