Em Manaus (AM), Gilberto Ribeiro da Silva lidera um coletivo popular que atua na despoluição do Igarapé do Gigante e no combate ao racismo ambiental na região. O Gigante possui mais de 9 quilômetros de extensão e 22 nascentes, passando por quatro bairros da capital amazonense. Gilberto atua na luta socioambiental há mais de 28 anos e acredita que a vulnerabilidade social é a consequência mais preocupante do racismo ambiental na região. “Designar pelo menos dez mil moradias para essa gente”, é o que Ribeiro acredita ser uma medida imediata para solução deste problema na região em que atua. No entanto, o ativista pontua a dificuldade de conscientização por parte dos próprios moradores do Igarapé e a ausência de conhecimento acerca do racismo ambiental. “No início do ano, mobilizei vinte lideranças que agora estão fazendo um curso de Cidadania Ambiental. E após o curso, vamos fazer um projeto para a arborização, habitação e análise das águas do Igarapé do Gigante”, afirma Gilberto.

Por outro lado, a Doutora em Geografia, Andreza Louzeiro afirma que a Geografia atua em diversas áreas que possibilitam o combate direto e efetivo deste problema social como, por exemplo, o equacionamento e solução de problemas referente aos recursos naturais do País, na política de povoamento ou no levantamento e mapeamento destinados à solução dos problemas regionais. Além disso, a pesquisadora defende a atuação conjunta entre universidades e Defesa Civil.
“Essas e outras atribuições estão previstas na Lei Nº 6664 que disciplina a profissão do Geógrafo. Dentre elas, podemos destacar o equacionamento de problemas atinentes aos recursos naturais e, de acordo com o Artigo 4º, investigações destinadas ao planejamento e implantação de política social”, ressalta Andreza.
“Apesar de tantos problemas apresentados neste sistema econômico em que vivemos, ouso dizer que tenho esperanças de pequenos e precisos passos para o início de uma mudança ambiental e social positiva para o Brasil. Há mãos que fazem com que as engrenagens da esperança não parem de trabalhar”, finaliza Andreza.