DO CUPCAKE À PADARIA: O MICROEMPREENDEDORISMO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Um estudo publicado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, apontou que os pequenos negócios foram responsáveis pela criação de mais de seis em cada dez postos de trabalho formais criados no país, no acumulado dos quatro primeiros meses de 2024.

Gabriela Alzão, destaque como empreendedora, transformou desafios em oportunidades

A partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o estudo divulgou que do total de 958,4 mil vagas geradas na economia brasileira, as micro e pequenas empresas (MPE) geraram 588,1 mil empregos, o equivalente a 61,4%, desbancando as médias e grandes que responderam um total de 292,4 mil novos empregos.

Em vídeo institucional divulgado pelo Sebrae, o presidente nacional da instituição, Décio Lima, afirmou que os dados confirmam a força e a importância dos pequenos negócios para a economia brasileira. “Os números do Caged são extraordinários para a nossa economia. São quase 1 milhão de novos empregos que evidenciam a pujança do momento que estamos vivendo”, afirmou.

Em outro trecho do vídeo, Lima aponta que as políticas sociais e os processos de inclusão estão impactando positivamente a economia e está promovendo mudança na vida dos brasileiros. O presidente ainda destacou a empregabilidade gerada pelas micros e pequenas empresas e afirmou que elas são as grandes distribuidoras de renda no Brasil.

 

Poder de transformação

É fácil encontrar em diferentes regiões do país histórias que comprovam o poder do microempreendedorismo em transformar a realidade de vida das pessoas. A cidade de Morro Agudo no interior de São Paulo, localizada a 381,2 quilômetros da capital do estado, com seus 27.933 habitantes, possui, de acordo com dados da Receita federal reunidos pelo Data MPE Brasil, 4.707 estabelecimentos comerciais, dentro os quais, 21,4% correspondem a microempresas, um total de 1.009 empreendimentos.

Entre essas microempresas está a Padaria Doce Sabor, um empreendimento da jovem Maria Gabriela dos Santos Alzão, 36 anos. Nascida e criada no município, Gabriela se formou em escola pública e decidiu não investir no ensino superior. Filha da cozinheira Vera Lúcia e do hortelão Mauro Correia, a agora empreendedora nunca conseguiu projetar uma profissão para si, mas carregava a certeza de que queria algo que a possibilitasse transformar e impactar a vida das pessoas.

 

A ideia de empreender surgiu durante uma crise econômica que ela e o marido enfrentaram entre os anos de 2017 e 2019. Para ela, foi como um sopro divino em um sonho. “Em junho de 2019 sonhei com um bolinho e Deus me deu até a receita. Relutei, não queria, mas Ele falava claramente que isso iria mudar a minha vida. Então em agosto de 2019 comecei a fazer os testes, sem dinheiro para nada”, conta.

Barraca de doces de Gabriela na Feira Livre de Morro Agudo (SP), em 2019

“O cupcake que fiz ficou algo que ninguém ainda havia comido, foi um sucesso. Outubro, novembro e dezembro vendendo. Eram encomendas para festas, para mesas de Natal e empresas”, relembra Maria Gabriela.

À época, faturava com os doces cerca de três mil e quinhentos reais. Posteriormente viu o negócio crescer e dobrou o ganho mensal. Mas foi quando ela faturou os primeiros dez mil reais que entendeu que seria possível, de fato, viver do empreendedorismo.

A família embarcou na iniciativa e em 10 de abril de 2020, após tanto sonhar, conseguiu expandir o negócio e, ao receber uma proposta de um amigo, abriu a Padaria Doce Sabor. “Entrei com a cara e a coragem e com várias dívidas. Meu esposo que nunca fez um curso de padeiro e eu que não sei fritar um ovo fizemos a padaria dar certo. Começamos eu, meu esposo, minha irmã e minha filha. Fomos fazendo cursos e nos aperfeiçoando”, afirma.

O primeiro ponto da padaria, segundo a proprietária, era simples e limitado. Hoje, já expandida e em um novo local, o empreendimento também viu o número de funcionários aumentar. O que antes era apenas o quadro com quatro familiares, agora conta com dez colaboradores diretos e outros três indiretos.

Para superar a crise imposta pela pandemia de COVID-19, foi preciso criar mecanismos que os diferenciassem das demais, como a implantação do delivery. A consolidação do negócio possibilitou que a família Alzão visse o faturamento mensal da padaria passar de 16 para 160 mil reais. “Desistir nunca foi uma opção; apostamos todas as nossas fichas neste negócio”, garante a empreendedora.

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