Santa Cruz e Jardim Irajá preservam suas identidades em meio ao forte crescimento urbano

Bairros mantêm sentido de comunidade, valorizam o comércio local, recebem investimentos imobiliários e expandem suas redes de serviços

Dois bairros vizinhos e histórias que se cruzam na zona sul de Ribeirão Preto. O Santa Cruz do José Jacques e o Jardim Irajá guardam histórias que vão além dos registros oficiais. São trajetórias de moradores, comerciantes e pioneiros que ajudaram a transformar a região.

O povoamento do Santa Cruz começou no século XIX, às margens do córrego Retiro Saudoso e ao redor de uma capelinha, onde a comunidade foi se juntando e expandindo o bairro. Hoje, o local preserva histórias de quem vive ali há décadas. Já o Jardim Irajá nasceu como uma extensão do Santa Cruz e hoje é referência comercial e gastronômica na cidade.

Não há dúvidas que foi a região da cidade que mais cresceu nos últimos anos. Para provar isso, basta observar o começo dos anos 2000, quando a avenida João Fiúsa ainda não havia se transformado no eixo de altos prédios que tornou a área um verdadeiro ícone do município.

A Avenida João Fiúsa reflete o crescimento acelerado da região (Foto: Victória Cabrini)
 
 
Segundo dados do IBGE de 2022, o subsetor Sul-3, que abrange os dois bairros, possuía naquele ano, 22.651 moradores. Outros dados, do Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB), da ACIRP, apontam forte atividade econômica nos bairros, com 1.490 empresas presentes no Santa Cruz e 2.379 no Jardim Irajá.
 

Santa Cruz

Santa Cruz do José Jacques tem o nome originado devido à devoção religiosa do primeiro morador do local, José Theodoro Jacques, e é um dos bairros mais antigos de Ribeirão Preto, originado em 1866.

Proprietário de terras, Jacques estabeleceu ali um comércio, para atender tanto viajantes quanto moradores locais, o qual se tornou um ponto de referência e favoreceu a ocupação da área. Anos depois, em 1892, uma parte das terras foi oferecida para construção da capelinha que viria a se tornar a Paróquia São João Batista. A ligação com a Igreja é um dos aspectos mais significativos dessa história.

A São João Batista faz parte da história da minha família e estabeleceu muitas relações com a comunidade”, relata Izilda Benedini de Oliveira, educadora física e proprietária de uma academia de natação e musculação no Jardim Irajá, vizinho do Santa Cruz. “Lá nossos filhos se casaram e os netos foram batizados. Além de que, a partir dela podemos desenvolver projetos sociais como o Amor Exigente“.

Izilda em aula com crianças na academia (Foto: Tayná Reis)

Mesmo com o crescimento urbano, o Santa Cruz preservou por um longo período, um perfil mais tradicional, longe da rápida modernização do centro.

Os prédios do Santa Cruz evidenciam o avanço urbano em meio às raízes do bairro (Foto: Victória Cabrini)

Esse cenário se transformou com a chegada de um novo vizinho: o Jardim Irajá. Os bairros são divididos pela Avenida Leais Paulista que simboliza essa transição entre diferentes momentos da ocupação urbana.

SERVIÇOS:

UBS Hélio Lourenço de Oliveira – Santa Cruz 

Rua Triunfo, 1.070

Segunda à sexta-feira, das 7h às 17h

Tel. (16) 3916-1122

ESCOLAS MUNICIPAIS:

EMEF Domingos Adilson Canesin

Rua Newton Stilac Leal, 135

Tel. (16) 3916-3305

EMEF Raul Machado, Prof.

Rua Humaitá, 930

Tel. (16) 3916-5500

 

Jardim Irajá

Fundado em 1954, o Jardim Irajá surgiu como expansão do Santa Cruz. No início, popularmente conhecido como “pasto das cabritas”, apresentava baixo nível de desenvolvimento. Gradualmente, novos moradores foram se estabelecendo, atraídos principalmente pelos preços mais acessíveis dos terrenos.

“Quando cheguei no Irajá, em 1980, não existia nada além de mato. Eu e meu marido decidimos morar aqui porque o valor dos terrenos era muito barato, então compramos para construir nossa casa”, diz Ranza Abud Bichuette, dona da primeira loja do bairro.

Depois de sete anos residindo ali, Ranza inaugurou seu próprio comércio. “Comecei vendendo algumas peças de roupas e aos poucos fui ampliando a variedade de produtos”, relata.

Ranza atende clientes na rua Chile há 39 anos (Foto: Tayná Reis)

Na região superior do Jardim Irajá é evidente a transformação do cenário urbano. Os grandes prédios situados ao longo da famosa João Fiúsa, se destacam em contraste com as construções mais baixas do Irajá, que ainda mantém algumas áreas com vegetação.

Apesar dessa vitalidade, continua predominando a característica arquitetônica da área residencial localizada abaixo da rua do Professor. A maior parte das edificações é composta por prédios que têm entre dois e quatro andares e ainda há um considerável número de casas térreas.

Vista da área comercial e residencial de prédios baixos do Irajá (Foto: Tayná Reis)

Economicamente, o bairro é impulsionado pelo comércio local e oferta de serviços. São bares, padarias, farmácias, escolas, salões de beleza e supermercados, a poucos passos uns dos outros.

“Em maio de 1998 minha família inaugurou um bar no Irajá que funciona até hoje. Na época, a região era pouco frequentada, a Fiúsa ainda não era asfaltada e havia somente dois bares”, descreve a proprietária, Regina Célia Rodrigues Cienci.

Hoje à frente do bar da família, Regina mantém clientes cativos (Foto: Tayná Reis)

“No início parecia loucura apostar em um estabelecimento em um local pouco desenvolvido, mas continuamos acreditando que um dia tudo iria melhorar. De fato, melhorou. Hoje nosso bar é bem conhecido aqui no Jardim Irajá e muitos dizem que temos o melhor lanche”, destaca Regina.

O QUE FAZER?

  1. Aproveitar as ruas arborizadas e calçadas amplas para atividades físicas ao ar livre.
  2. Explorar a diversidade gastronômica, com opções que vão do casual ao sofisticado.
  3. Visitar as praças recém-revitalizadas:
  • Praça Augusto Apparecido Mazza: Rua Chile, 1165
  • Praça Miguel Dahren: Rua Paschoal Bardaro, 229
  • Praça dos Leais: Rua Paschoal Bardaro, 79
  • Praça Nicolau Antônio Galache: Rua Heitor Chiarello, 455
 
Espaço verde da Praça Miguel Dahren promove convivência e bem-estar (Foto: Victória Cabrini)

 

ESCOLA MUNICIPAL

EMEI Ana dos Santos Gabarra

Rua Coronel Luiz da Silva Batista, 61

Tel. (16) 3916-1191

PARÓQUIA SÃO JOÃO BATISTA

Nos primórdios do Santa Cruz, os moradores precisavam se deslocar até a Paróquia Cristo Rei, localizada no Jardim Iguatemi, para participar das celebrações. Com o crescimento dos bairros da região leste da cidade, as paróquias precisaram ser reorganizadas e, em novembro de 1983, foi criada a Paróquia Santo Agostinho.

A princípio sediada na capela do Colégio dos Agostinianos, a paróquia precisou ser transferida após a venda do espaço. A nova sede passou a ser a Capela de São João Batista, construída em 1903, na Praça José Jacques.

Em 1998, essa capela foi demolida para dar origem a uma nova igreja mais espaçosa e moderna. Com a conclusão da construção em 2000, foi considerado apropriado mudar o nome da paróquia de Santo Agostinho para Paróquia São João Batista, já que este era o padroeiro da antiga capela.

No Santa Cruz, a Paróquia São João Batista atravessa gerações (Foto: Victória Cabrin)

 

SERVIÇO

Local: Av. Portugal, 2.120 – Santa Cruz

Tel. (16) 3237-7082 / (16) 99352-9458 (WhatsApp)

 

Funcionamento da secretaria: 

Terça à sexta-feira: 8h às 12h / 13h às 17h

Sábado: 8h às 11h30

 

Missas:

Quarta à sexta-feira, às 19h30

Sábado, às 19h

Domingo, às 8h, 10h30 e 19h

 

CAPELAS:

Capela Lar A Família

Avenida Leais Paulista, 300 – Santa Cruz

Missa: Terça-feira, 19h

Capela Lar Santa Rita

Rua João Gomes da Rocha, 509 – Jardim Irajá

Missa: Quinta-feira, 8h

Vozes da Nossa Gente

O projeto Vozes da Nossa Gente é um projeto multiplataforma acidade on Ribeirão em parceria com o curso de Jornalismo da Unaerp.

Com foco no jornalismo hiperlocal e buscando uma maior conexão com a comunidade, o “Vozes da Nossa Gente” pretende inspirar com boas histórias, que serão contadas de maneira humanizada pelos moradores de oito bairros de Ribeirão Preto.

Essa produção é dos alunos do curso de Jornalismo da Unaerp Júlia DuarteMel Silva, Tayná Reis Victória Cabrini, sob supervisão dos professores Gil SantiagoGuilherme Nali e Elivanete Zuppolini Barbi.

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