
Em 2017, os profissionais que sobrevivem da reciclagem somavam 800 mil no Brasil, segundo dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MRCR). No mesmo ano, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estimou que cerca de 90% de todo o lixo reciclado no país era proveniente da ação desses profissionais. A partir dessa estimativa e com foco intensificado pela pandemia de Covid-19, o projeto Cata Saúde desenvolve atividades voltadas ao preparo e capacitação de catadores em território nacional.
É por meio de aulas, oficinas e acompanhamento on-line, com tutores especializados, que o projeto oferece informação e orientação aos catadores. A iniciativa, que já conta com mais de mil inscritos, busca elucidar medidas de segurança indispensáveis para a preservação do meio ambiente e da saúde dos profissionais que acabam por manter contato direto com materiais descartados de diversos locais e com inúmeras origens.
O projeto, totalmente gratuito, nasceu justamente para oferecer apoio e conhecimento a profissionais que de alguma forma se encontravam em vulnerabilidade. Atualmente, a iniciativa conta com a colaboração de sete instituições parceiras que auxiliam no processo de disseminação de informações e integração aos catadores. Além dos encontros virtuais, um canal no Youtube, maior site de compartilhamento de vídeos do mundo, é mantido pelos voluntários da ação.

Segundo a bióloga, mestre em políticas públicas e tutora do projeto, Natália Vieira, a importância dos serviços prestados por catadores de reciclados está ligada aos fatores social e ambiental, o que os tornam “protagonistas” do processo de reciclagem no Brasil. Com a relevância das atividades realizadas por profissionais autônomos ou ligados à cooperativas, ela aponta que esse serviço ajuda a evitar colapsos ambientais e demais problemas advindos do descarte inapropriado de lixo.
“São os verdadeiros protagonistas da reciclagem no Brasil. Se não fossem os catadores e as catadoras, a gente teria um colapso ambiental muito maior em relação aos resíduos sólidos e todo tipo de problema que isso causa, poluição do solo, poluição dos lençóis freáticos, coleção do ar, por questão de incineração, a própria saturação dos aterros, dos lixões e todos os outros problemas sanitários e de saúde pública que são decorrentes do descarte indevido de resíduos sólidos”, diz.
Com a pandemia, esses profissionais que já ficavam expostos ao risco de contrair doenças, agora convivem com a possível transmissão da Covid-19, doença que já levou mais de 3 milhões de pessoas a óbitos no mundo. Para Natália, a situação de vulnerabilidade dos catadores é agravada pela falta de condições financeiras para que equipamentos de proteção individuais (EPIs) sejam adquiridos. Sendo assim, sem que haja regras destinadas a esse grupo, o comprimento de medidas sanitárias que evitam a contaminação pelo vírus se torna uma realidade distante para alguns desses profissionais.
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